Carlota Wahnon
-Onde é que estamos?
-No 13º andar. Vais apanhar o elevador?

Quem me respondeu foi uma silhueta de luz branca, com uma energia inacreditavelmente forte que emana em todas as direcções.

-Para que andar?
-Não sei, mas este elevador só sobe.
-Boa nunca passei deste andar para cima.

O elevador é uma caixa de vidro com uma imensidão de um nada (ou tudo...) de branco à volta.

As portas abrem-se, estou no 45º andar.
Dou um passo em frente e caio dentro de um oceano, sou uma gota de água, vou com a corrente. Sinto todas as outras gotas, as outras partículas a passarem por mim a uma velocidade estonteante, quero correr com tudo o que me rodeia. Passo por grutas, peixes enormes com dentes afiados, grandes, pequenos, coloridos, assustadores. Passo por corais brilhantes, estou a dirigir-me às profundezas. Uma espécie de baleia com dentes afiados e olhos de cobra abre a boca e deixa-me entrar...
Estou de novo no elevador.

-Quero subir mais! O que há mais?

A caixa de vidro sobe à velocidade da luz. Estou no 739º andar.

Saio do elevador.
Torno-me um ser maleável como água, cristalino, gelatinoso. Estou no meio de uma multidão de seres como eu, cada um com sua cor e sua luz. O meu corpo todo é sensível a cada toque... A todos os toques... Escorregamos e caímos uns nos outros formando auroras bureais. Não há caras, não há palavras, só almas e corpos nus, despidos de qualquer tipo de julgamento. Toda a gente é, e é apenas.
Sinto calor... Gosto... Que viagem... Que prazer... Que sintonia... Parecemos música e poesia sem palavras.

Mergulho no elevador.
A caixa de vidro começa a cair, a cair, a cair... E parte-se no andar zero.
Quero tudo outra vez! Quero tudo outra vez, e mais!

Quando não há elevadores vai-se de escadas.

Bon voyage.