Carlota Wahnon

Parecem umas botinhas feitas de algodão pardo, umas atrás das outras pelo revaldo. Hmm... Esse cheiro a relva molhada ao luar convida a brincadeira!
Rebolas no tapete verde e beijas as flores do jardim como se fossem princesas pequeninas.
Olhas a lua... Está linda, não está? Reflecte-se nos teus olhos como duas safiras!
Respiras emoção! Sinto o teu coração ansioso! O que é? Um movimento, os malmequeres estão a abanar, uma luz pequenina e desajeitada do tamanho de um botão voa de um lado para outro. Danças com ela no meio das flores, celebras a noite e a lua sorri para ti.
Anda tens de fazer a tua magia, já se faz tarde...
O teu corpo esguio e riscado faz-se passar pelas paredes como um fantasma. Vais ao quarto da menina que conheceste no parque. Deixou as cortinas abertas para a lua iluminar o teu caminho. Saltas para cima da cama, suave como uma nuvem, e beijas-lhe a testa. Ela sorri a dormir. Agora vai sonhar com fadas e princesas. Tu voltas para o teu bosque encantado, e um dia nunca mais precisas de voltar.

-*-

Todas as noites, quando fecho os olhos, espero pelo teu beijo. Deixo as cortinas abertas para a lua te ver entrar no meu quarto e te guiar até mim. A minha mãe diz que não existe nenhum gato mágico dos sonhos... Eu apontei para ti no parque quando te conheci, mas a minha mãe não te viu. Disseste-me que era por eu ser especial... Mais ninguém te vê.
Hoje quando fores embora vou atrás de ti, e vou brincar contigo para sempre no teu bosque encantado. Vais ser o meu melhor amigo. Vamos fazer a nossa terra do nunca.