Carlota Wahnon
«Aqui sentado numa varanda de uma cabana de madeira sobre um manto branco de luz, o meu espírito viaja ao teu encontro para me dares um beijo, para sentir o teu cheiro, para te envolver nos meus braços e sentir o teu calor. Será que dormes? Que estarás tu a fazer minha boneca?
Foi o que despertaste em mim que me fez encontrar o meu verdadeiro eu. Contigo sinto-me tão completo como um pai abraçado pelo filho, completo como um dia de sol de verão repleto de luz.
Não sei se foi quando me deste a mão quando chovia naquele jardim, se foi quando caminhámos horas e horas pela linha de comboio abandonada até encontrarmos um rio, se foi quando um dia me deixaste um bilhete no bolso das calças que dizia “Tens tantas cores!”, se foi quando sujámos a roupa toda com terra da relva onde nos deitámos a observar as estrelas; se calhar foi em todos os momentos um bocadinho de cada vez… mostraste-me onde estavam escondidas as minhas asas e ensinaste-me a voar.
A neve faz-me lembrar a tua pele, branca, pura e brilhante.
Quero tanto tocar-te agora! Quero acordar e ter-te ao meu lado ainda a dormir, acariciar-te o cabelo, e sussurrar-te ao ouvido “acho que te amo” enquanto sonhas sem me ouvir. Será que quando acordares essa frase ainda se passeia algures num canto dos teus pensamentos e memórias à espera de ser ouvida?»
Carlota Wahnon
Nunca me senti mortal.
Só me lembro de existir mundo comigo nele.
Não saberei como ficou depois de me ir.
Não sou mortal, sou imortal; a terra é que só existiu quando eu lá estive.