Unknown

No café velho, perto da bomba de gasolina, onde uma ventoinha preguiçosa roda sem refrescar o ar, e músicas dos anos 50 se fazem ouvir baixinho, chega um cliente habitual com um sorriso radiante, e sentando-se ao balcão, faz o seu pedido:
-Bom dia minha senhora! Estou com os espíritos renovados! Hoje em vez do costume… Ahm… Quero um sumo de laranja e um hamburger com duplo queijo. Não, não, só com uma fatia, que estou de dieta.
Mexendo-se no banco, talvez de gordura excessiva e medo de se desequilibrar do pequeno círculo que desaparece por baixo do seu real traseiro; ou talvez de excitação e felicidade, aguarda com um sorriso nervoso e gotas de suor a escorrer pela cara o seu repasto.
Com uma voz rouca de 31 anos de fumo a arranhar a garganta, a empregada por trás do balcão de idade indefinida (entre 57 e 153) grita, sem se mover, o pedido para o cozinheiro.
A caixa de música avariou, sendo a sua melodia substituída por moscas a voar, barulhos de meia dúzia de talheres, o zumbir da ventoinha e a respiração do nosso amigo cliente tão delicada como a de um elefante numa sauna.
A empregada de mesa, pisca os olhos em câmara lenta excessivamente pintados de azul pavão (como quando tinha 20 primaveras) esperando que o pedido seja entregue. Fica placidamente a olhar para o nada com o seu capacete de caracóis pintados de vermelho em cima do cocuruto. Em nova era realmente uma ruiva fogosa que fazia virar cabeças e semeava comentários vindos de prédios em obras como “qualquer-coisa-ordinária". Talvez esticando a pele das bochechas enrugadas, como quem trata de pele de tambor, ainda se veja a beleza de outrora – antes do chato do tabaco ter feito de cabeleira de fogo, cinzas, e da pele de branca de neve, a da madrasta velha. Maldita gravidade, e malditos relógios que não esperam por ninguém!
Pode perfeitamente substituir o triângulo de sinalização de perigo se tiver um acidente de carro: da camisa amarela às bolas verdes, à saia cor-de-rosa choque, passando pelo batom encarnado sempre acompanhado de um cigarro entalado na boca; ofusca qualquer inocente condutor.
Vendo o seu melhor cliente com ansiedade nos olhos e na boca que quer jorrar qualquer informação cá para fora, inala o fumo do cigarro e pergunta monocordicamente “se o cliente está bem e o que fez para estar com um ar tão feliz”.
No meio de trincas devoradoras, e mastigação a “céu aberto” (etiqueta americana), o anafado e bem-disposto cliente responde longamente com muito entusiasmo à sua pergunta.
Enquanto a empregada pensava na marcação do cabeleireiro para arranjar as unhas, e na vizinha que ainda não lhe devolveu o tupper-ware pequeno que lhe faz imensa falta, ouve uma matraca de fundo, que diz qualquer coisa como “blá blá blá, palavras, verbos, adjectivos”.
Voltando à realidade e reparando que o prato no balcão se encontra vazio e a boca do outro lado do balcão já não mastiga nem fala, inala mais uma vez o seu adorado cigarro e com a sua maravilhosa voz de catarro profere:
- Obrigada por ter vindo, são sete dólares se faz favor. Na Maggie’s Burgers fazemos os pratos mais deliciosos e suculentos (tosse profunda), volte sempre.
Unknown
Todos nós já o conhecemos. É ele que nos desenha quadros que ganham vida na nossa mente quando estamos contemplativos, é ele que dá música ao momento em que olhamos pela janela de um carro ao atravessar uma ponte rodeada de floresta e rio. É ele que põe música na chuva lá fora quando encostamos a cabeça à janela de olhos fechados.

Muito alto e magro, de cabelo escuro, curto e despenteado, mãos delicadas e olhos grandes de um castanho profundo e brilhantes, tem sempre um sorriso escondido nos olhos meigos e alienados.

Todos os dias às 9.17 acorda com a melodia do afiador de facas que avisa a sua passagem. Tem um prazer especial em acordar a esta hora pois não é demasiado cedo, nem muito tarde, o perfeito para ter um dia que sabe a 24 horas.
Levanta-se sempre num pulo para quinze minutos depois estar vestido e lavado, pronto para ver passar pela pequena ponte de calçada desajeitada em frente ao seu prédio, a rapariga vendedora de espanta espíritos. Fica à janela com a cara caída na mão e cotovelo no parapeito a vê-la arrumar delicadamente os seus amuletos cantantes contra às más energias.
Deita migalhas de comida no aquário do seu peixinho Noah, sai de casa, agarra na bicicleta e segue para o oceanário de pequena escala da sua cidade.
Poucas vezes os aquários são esvaziados, por isso, são quase sempre limpos só por fora. É delicioso ver como ele dança com os filhos de Poseidon sem estar dentro de água.
Agarra na esponja com os seus dedos de pianista, e sob a luz etérea que emana dos aquários (pois sempre fez questão de os limpar sem luz eléctrica)esfrega devagar os vidros admirando a dança dos seres marinhos.
No fim do seu dia de trabalho senta-se ao lado dos visitantes a admirar os seus amigos peixes.

De volta a casa, agarra no aquário do Noah, coloca-o no cesto da sua bicicleta e pedala até à feira que à noite brilha com luzes que piscam e giram. Compra sempre algodão doce e pergunta com um gesto se o peixe quer um bocado. Ele nunca quer, prefere salgados. O algodão fica sempre intacto pois ele só o compra pelo gosto de ter uma nuvem doce na mão.
Um ou dois dias por mês, com a casa do seu melhor amigo levada por um carrinho de mão, atravessa a pequena ponte e compra uma pintura e por vezes outro espanta espírito para o seu pequeno apartamento reluzente. As palavras que trocam não têm som, os seus gestos e olhares já há muito disseram o mais importante. Eles amam-se! Mas shh... Ainda é segredo.

De volta a casa com um sorriso enamorado, coloca a pintura numa parede e senta-se no banco de madeira de três pernas colocando Noah ao seu colo. Contempla durante horas as paredes de sua casa forradas de desenhos e pinturas iluminados pelos brilhos e reflexos dos espanta espíritos que tilintam suavemente. Neles revê a graciosidade e beleza da rapariga que lhos vende.
Depois de uma sopa, dá as boas noites a Noah. Apaga a luz e adormece ao som dos espanta espíritos que dão música à sua pacata e doce vida.
Unknown

Todos os dias ela levantava-se com o sol na cara. Mesmo quando havia nuvens no céu.
Comia a sua fruta, os cereais, e saía de casa com um iogurte na carteira cheia de talões antigos. Era uma desarrumada! (risos)
Era dona de uma agência de publicidade muito conceituada, mas não era snobe; falava a todos de manhã com a maior das boas disposições e boa educação.
Eu achava-a descontraída mas trabalhadora, divertida mas pouco faladora. Guardava sempre o mais importante para ela. Adorava isso nela...(emocionado)

- Está bem? Se quiser fazer um intervalo na entervista, esteja à vontade!

Não, não. Continuemos. Ahm... Onde é que eu ia... Sim, tudo lhe corria bem. Amigos não lhe faltava, talvez mais em quantidade do que em qualidade, ainda assim, tenho a certeza que adorava a vida que levava. O poder usar a criatividade no trabalho, as saídas à noite ao fim-de-semana, as viagens loucas em cima da hora que ela fazia! Era mesmo doida, realmente... Alugava uma carripana e arrastava toda a gente com ela para ir fazer as coisas mais maravilhosas que alguma vez experienciei. Uma vez levou-nos para França, para o lago aude pyrénées-orientales! Foi lindo... No meio da neve, das árvores, estava um tempo de sonho. Um sol radioso!
Fomos nadar todos nus, à noite, no lago com lanternas que ela trouxe para nos vermos debaixo de água. Depois do jantar ela punha-se a imitar os animais(comovido).

Ahm...Adiante! Sempre fui amigo dela e sempre fui apaixonado por ela. Sei que ela o sentia, mas eu não era correspondido e ela tentava não me magoar da maneira mais doce que conseguia; fazia-se de desapercebida.

Se eu estava à espera? Não, nunca... Não se espera que coisas deste género acontecam, mas sabia que ela era capaz. Apesar de ser uma pessoa cheia de emoções, era assustadoramente desprendida do mundo e das pessoas. Vivia um bocado no mundo dela como o Petit Prince.
Estava a arrumar a mala à pressa para ir ter com ela e o resto pessoal porque tínhamos recebido uma mensagem a dizer "aluguei a carripana outra vez! esta vai ser a melhor de todas! vocês vão-se passar... well... LOVE YOU GUYS!!!".
Fomos todos ter a casa dela, que era sempre o ponto de encontro. Quando estamos a subir o elevador começamos a ouvir gente a chorar. Era a família dela. Pensei, quer dizer, pensámos todos que lhe tinha acontecido alguma coisa. O irmão dela, João, mal nos viu, começou a perguntar se sabíamos da carta. Não sabíamos de nada! O João exaltou-se e começou a bater num dos nossos amigos, desesperado por ter perdido a irmã. Foi então que no meio da confusão vi uma carta em cima da mesa.
Despedia-se de toda a gente, e muito sucintamente dizia que não aguentava mais a pressão da sociedade, não percebia porque é que as pessoas têm de ter dinheiro, carros, carreiras, casas... E que ia vaguear pelo mundo. Nómada como todos os outros animais da terra. (choro emocionado)

- Até hoje voltou a vê-la alguma vez, ou foi contactado?

Não voltei a vê-la, mas uma vez ligou-me.

" - Estou?
- Peter. Sou eu.
- ... (respiração nervosa) Onde é que estás?!
- Estou em todo o lado e sempre em casa. Todos os dias conheço pessoas maravilhosas. Liguei-te porque queria dizer-te para não te preocupares comigo.
- Estás doida?! Não podes fazer isto... Eu tenho saudades tuas! Toda a gente tem! Volta por favor!
- Liguei-te para te dizer que estou feliz. Não vou voltar, mas talvez, no futuro os nossos destinos se cruzem outra vez. Espero que encontres o mesmo que eu um dia. Adeus baby.
- Espe....
(disconnected)
....ra"
Unknown
O estádio parece ter 579km , tenho um milhão de olhos postos em mim, a minha filha agarra nos ombros do irmão mais novo, nervosa e sorridente para me dar confiança.
"Não sou capaz.... Não consigo..."
O estádio todo fica em silêncio. Só ouço a minha garganta a engolir em seco. Esvazio a minha mente, inspiro, expiro, passo a mão na minha cabeça rapada e ponho-me em posição à espera do tiro da partida.
Do meu lado esquerdo um rapaz branco respira com a força de um búfalo, e a sua linguagem corporal diz-me que se move como uma chita. Olho de novo em frente e no último segundo antes do tiro agarro na terra batida, vermelha como a da meu país. Num segundo tudo me passa pela cabeça, a minha filha a passar fome para dar comida ao irmão mais novo que é mais frágil, os sorrisos de conforto quando me sinto um mau pai, os abraços de força quando temos de nos unir contra o mundo que está contra nós...

BANG

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Com a mente vazia e calma como um verdadeiro buda começa a correr. Corre pela vida, pelos filhos, para chegar ao final, para nunca chegar ao final e continuar a correr, corre porque é feliz mas é pobre. Corre porque gosta de correr.

EEEEEhhhhhhhhhhh AAAAHHHHHHhhhh - a multidão aplaude o vencedor, confetis caem, sorrisos rasgados espalham alegria pelo ar.

Sem notar, ganhou por dois segundos a corrida. Ganhou um título mundial. Ganhou o seu objectivo pessoal. Ganhou um futuro para os filhos. Ganhou abraços calorosos. Ganhou coragem para dar amor. Ganhou coragem para nunca mais parar de correr e rasgar todas as metas e obstáculos da vida, sempre em primeiro lugar.
Unknown
Acabei de ler a tua carta... Não percebo. Como é que largas sentimentos como quem expira? Sinto-me um espelho partido... Sem utilididade, sem vida, desprezado.
Vim para aquela rocha onde gostavas de ver o pôr-do-sol quando estavas feliz... Feliz comigo.
-PORQUÊ?! Sem ti a minha alma morre! Estou desesperado... Preciso de ti, do teu cheiro do abraço quente, da tua pele suave. Quero bater-te! PUTA!!... Não me deixes... Eu amo-te.

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Desesperado continuava a berrar para o mar com a carta molhada e rasgada ainda na mão. De repente parou. Só sentia a chuva, o coração já estava morto, não batia, as veias no seu corpo ficaram frias. Chorou, levantou-se em silêncio e começou a despir-se. Completamente nu ainda agarrava a carta e chorava tristeza e abandono de todos os poros do seu corpo.
Caminhou devagar até à beira do penhasco. Fechou os olhos e sentiu a chuva. Sentiu o frio. O silêncio cru. Deixou-se cair no poço mais profundo da sua alma. Tudo estava escuro. Abriu a mão, a carta escorregou dos seus dedos molhados. Abriu uma última vez os olhos e saltou das rochas gritando.

O seu corpo escondeu-se para sempre nas profundezas do mar junto com o seu coração esquartejado.
A chuva cantava sozinha. O sol pôs-se e o ar voltou a ficar vazio, sem tristeza, sem felicidade, sem energia, sem abandono.
Unknown
-Uma duas... Duas janelas. Duas. Dois mais dois quatro. Quatro barras de ferro em cada janela. Um eu, uma cela. Aii... Medo, sozinho. Eu eu, sim. Dois, quatro, um sozinho. Riscos! Riscos na parede, sim muitos muitos. Sete mil trezentos e um. É, riscos lindos!
O guarda levanta-se da cadeira irritado com tanto barulho, avança em passos pesados e lentos ajeitando o cinto repleto de chaves e canecas penduradas.
- Cala-te escroto! Falas outra vez e trato-te da saúde! Estou a tentar ouvir o relato da bola no rádio!!
Na cela o criminoso só ouve as suas palavras. Está encarcerado numa solitária há mais de vinte anos e perdeu completamente o tino. Com as unhas pretas e sujas arranha mais um risco na parede correspondente a um dia. Levanta-se e no meio da cela começa a dar voltas a si próprio entoando uma lenga lenga irritante.
- Glin-glin, que tens ao lume?
Glin-glin, tenho papas.
Glin-glin, dá-me delas.
Glin-glin, não tenho sal.
Glin-glin, manda-o buscar.
Louco de fúria o guarda pesado e gordo levanta-se novamente e dirige-se à porta da cela com um cacetete numa mão. Mexe e remexe nas chaves até encontrar a certa.
- Olha lá meu filho da puta! Não te mandei calar?! QUANDO EU MANDO, TU OBEDECES!!!
Agarra no seu instrumento de violência e bate em três zonas diferentes do corpo mal cheiroso e curvado do criminoso.
- Glin-glin, não tenho por quem.
Glin-glin, por João Branco.
Glin-glin, não pode, está manco.
Glin-glin, quem o mancou?
Glin-glin, foi um pau.
Bufando e arfando o guarda não consegue conter-se mais, e com o magro prisioneiro no chão a tremer cantando a sua lenga lenga, dá pontpés na barriga e na cabeça deste. Berra furioso impondo a sua autoridade.
- Aqui quem manda sou eu! EU! OUVISTE MEU MONTINHO DE MERDA?!
De resposta obtém uma manifestação corporal vinda das traseiras do nosso amigo sem noção da realidade, e um riso louco e descontrolado. O guarda dá um últim golpe com força na cabeça do bicho e este cai para o lado a dormir em cima da latrina.

Abandona a cela e senta-se novamente, satisfeito com a sua repreensão pelo silêncio quebrado por divagações de um louco criminoso fora de prazo.
Unknown
Foi em 1711, tinha 25 anos e estava numa embarcação real. Não, eu não era nobre, era filha do ferreiro real e trabalhava nas cozinhas. Sempre tive sede de aventuras e queria conhecer o mundo. No dia em que a armada partia numa expedição, escondi-me no meio dos mantimentos. Passado uma semana a minha presença clandestina foi descoberta. Já de pequena o meu pai me dizia "os homens são uns cabrões porcos, só te querem mal, nunca deixes que te toquem!". Aprendi desde pequena a defender-me, posso dizer que sou uma boa lutadora com ou sem espada.
O meu destino variava entre ser atirada ao mar e morrer afogada, ou ser violada antes de atirada ao mar. Estúpidos! Eu tive uma semana para planear este momento, e enquanto eles, homens nobres e barrigudos de narizes vermelhos da pinga, discutiam o meu fim, eu saquei das pistolas que tinha roubado e apanhei-os todos desprevenidos. Os que não foram à lei da bala, foram à lei da espada ou do punho. Só sobraram dois homens que tremiam como varas verdes.
- Bruxa poupa-nos a vida! Por favor! Fazemos tudo o que quiseres!
Eram magros e feios, um era o cozinheiro e outro um marujo experiente.
- Vocês são agora a minha tripulação e eu a vossa capitão. Vamos continuar a nossa jornada até a um destino. Meus senhores, ao trabalho que somos poucos e há muito para fazer.
Os dois com as mãos na cabeça. Desgraçados! Toda a vida lhes disseram que uma mulher a bordo dava mais azar que partir sete espelhos no mesmo dia.
A medo faziam todas as suas terefas. Todas as refeições que o cozinheiro preparava eram comidas por ele primeiro para o caso de surgir a infeliz idéia de me envenenarem.
Mais três semanas de viagem se passaram. Os meus homens acalmaram-se, esqueceram algumas das suas superstições, e tinham-me em grande estima. Ensinaram-me tudo o que se faz num barco.
Numa manhã de sol quente, acordo ao som das palavras que eu mais ansiava.
- TERRA À VISTA!!
Vesti-me à pressa, e da proa podia ver algo que nunca sonhei ver! Parecia que tinhamos ido parar a outro mundo! Secalhar estávamos noutro mundo... Uma ilha com templos cintilantes no meio de vegetação que nunca antes tinha visto. Tudo era imponente!
Quando atracámos na ilha, estranhas pessoas com poucas peças a cobrir os corpos, cheias de pinturas e jóias, aproximaram-se de nós. Estagnei, eu os meus homens. Não sabíamos se corriamos ou se lutávamos. A um metro de nós, todos fizeram vénias exageradas gritando palavras estranhas. Levaram-nos para os edifícios cintinlantes. Eram todos em ouro cravejados com jóias! Tinham pele e cabelos escuros. Nunca tinha visto nada igual. Um deles chamou-me a atenção. Trocámos olhares enquanto passava pelas ruas impoentes da cidade de ouro.
Todos estavam sorridentes, as crianças brincavam e tocavam-nos divertidas e tão curiosas como nós.Os mais velhos faziam vénias, outros tocavam instrumentos musicais, dançavam e cantavam. Parecíamos esperados.
Os meus homens foram levados para uma casa pequena e vestidos, pintados e adornados como os nativos. A mim levaram-me para dentro de um templo enorme, cheio de taças com frutas estranhas, dançarinas sensuais e anciãos sentados a fumar algo com um cheiro doce. Vestiram-me roupas douradas e vermelhas, soltaram-me o cabelo e lavaram-no com óleos especiais. Fizeram pinturas reboscadas nos meus braços e mãos. Encheram-me de jóias magníficas e disseram-me que aquele templo era meu.

Fizeram-me a sua rainha, tomavam-me por meia deusa. A seguir ao banquete, nessa noite, dei ao guerreiro com quem tinha trocado olhares intensos, o meu bem mais precioso. No meu templo, no meio de almofadas perfumadas e paredes com refexos de luz mágicos ele foi pai do meu filho.
Filha do ferreiro, predestinada a morrer em cozinhas fedorentas, tomei posse de um barco, naveguei dois mundos e fui rainha de um povo rico e pacífico.

Eu arrisquei, ganhei e sou feliz. Tenho o mundo a meus pés.
Não fiques na cozinha, vai lá para fora e parte para a aventura, mostra o teu brilho ao mundo.