Carlota Wahnon
Foi em 1711, tinha 25 anos e estava numa embarcação real. Não, eu não era nobre, era filha do ferreiro real e trabalhava nas cozinhas. Sempre tive sede de aventuras e queria conhecer o mundo. No dia em que a armada partia numa expedição, escondi-me no meio dos mantimentos. Passado uma semana a minha presença clandestina foi descoberta. Já de pequena o meu pai me dizia "os homens são uns cabrões porcos, só te querem mal, nunca deixes que te toquem!". Aprendi desde pequena a defender-me, posso dizer que sou uma boa lutadora com ou sem espada.
O meu destino variava entre ser atirada ao mar e morrer afogada, ou ser violada antes de atirada ao mar. Estúpidos! Eu tive uma semana para planear este momento, e enquanto eles, homens nobres e barrigudos de narizes vermelhos da pinga, discutiam o meu fim, eu saquei das pistolas que tinha roubado e apanhei-os todos desprevenidos. Os que não foram à lei da bala, foram à lei da espada ou do punho. Só sobraram dois homens que tremiam como varas verdes.
- Bruxa poupa-nos a vida! Por favor! Fazemos tudo o que quiseres!
Eram magros e feios, um era o cozinheiro e outro um marujo experiente.
- Vocês são agora a minha tripulação e eu a vossa capitão. Vamos continuar a nossa jornada até a um destino. Meus senhores, ao trabalho que somos poucos e há muito para fazer.
Os dois com as mãos na cabeça. Desgraçados! Toda a vida lhes disseram que uma mulher a bordo dava mais azar que partir sete espelhos no mesmo dia.
A medo faziam todas as suas terefas. Todas as refeições que o cozinheiro preparava eram comidas por ele primeiro para o caso de surgir a infeliz idéia de me envenenarem.
Mais três semanas de viagem se passaram. Os meus homens acalmaram-se, esqueceram algumas das suas superstições, e tinham-me em grande estima. Ensinaram-me tudo o que se faz num barco.
Numa manhã de sol quente, acordo ao som das palavras que eu mais ansiava.
- TERRA À VISTA!!
Vesti-me à pressa, e da proa podia ver algo que nunca sonhei ver! Parecia que tinhamos ido parar a outro mundo! Secalhar estávamos noutro mundo... Uma ilha com templos cintilantes no meio de vegetação que nunca antes tinha visto. Tudo era imponente!
Quando atracámos na ilha, estranhas pessoas com poucas peças a cobrir os corpos, cheias de pinturas e jóias, aproximaram-se de nós. Estagnei, eu os meus homens. Não sabíamos se corriamos ou se lutávamos. A um metro de nós, todos fizeram vénias exageradas gritando palavras estranhas. Levaram-nos para os edifícios cintinlantes. Eram todos em ouro cravejados com jóias! Tinham pele e cabelos escuros. Nunca tinha visto nada igual. Um deles chamou-me a atenção. Trocámos olhares enquanto passava pelas ruas impoentes da cidade de ouro.
Todos estavam sorridentes, as crianças brincavam e tocavam-nos divertidas e tão curiosas como nós.Os mais velhos faziam vénias, outros tocavam instrumentos musicais, dançavam e cantavam. Parecíamos esperados.
Os meus homens foram levados para uma casa pequena e vestidos, pintados e adornados como os nativos. A mim levaram-me para dentro de um templo enorme, cheio de taças com frutas estranhas, dançarinas sensuais e anciãos sentados a fumar algo com um cheiro doce. Vestiram-me roupas douradas e vermelhas, soltaram-me o cabelo e lavaram-no com óleos especiais. Fizeram pinturas reboscadas nos meus braços e mãos. Encheram-me de jóias magníficas e disseram-me que aquele templo era meu.

Fizeram-me a sua rainha, tomavam-me por meia deusa. A seguir ao banquete, nessa noite, dei ao guerreiro com quem tinha trocado olhares intensos, o meu bem mais precioso. No meu templo, no meio de almofadas perfumadas e paredes com refexos de luz mágicos ele foi pai do meu filho.
Filha do ferreiro, predestinada a morrer em cozinhas fedorentas, tomei posse de um barco, naveguei dois mundos e fui rainha de um povo rico e pacífico.

Eu arrisquei, ganhei e sou feliz. Tenho o mundo a meus pés.
Não fiques na cozinha, vai lá para fora e parte para a aventura, mostra o teu brilho ao mundo.