Carlota Wahnon
Enquanto danço, fecho os olhos e cerro os punhos. Bato com os pés no chão e lembro-me do que te disse "Sabes porque é que eu adoro techno? Porque soa-me à mãe Terra.". Tu sorriste e respondeste "Pois é" com um brilho nos olhos de quem sente o mesmo.
Ambos nos agachámos, descalços, para sentirmos melhor a batida quente e abafada que a Terra nos cantava.
Volto a mim e realizo que estou a reviver tudo isto de olhos fechados, noutro lugar, longe de ti, perto de outros.
A força do meu coração projecta a tua imagem diante de mim, incrivelmente vívida. "Estarei a sonhar?" Olho em volta e ninguém parece chocado com a repentina aparição dum homem num lugar vazio ainda nem há um segundo.
Fixo os olhos em ti. Não me consigo conter. Sinto uma onda escaldante percorrer todo o meu corpo, o meu coração quer saltar para fora do meu corpo e borboletas invadem a minha barriga. A tremer agarro, puxo as minhas roupas para não te saltar em cima ali mesmo, inundada de desejo, estou toda molhada e só te quero a ti. Foda-se, quero-te tanto! O meu corpo balança-se suavemente agora ao ritmo da tesão, já não ouço música nenhuma, só sinto o meu respirar pesado de desespero por que me tomes.
Levo a mão ao meu cabelo e puxo-o como se fosse a tua juba de leão. Olho-te nos olhos e pergunto "Aqui? Ali? Onde? Agora?... Agora?", tu respondes "Aqui, agora.".
As minhas pernas contorcem-se, o meu desejo funde-se com o meu amor por ti e tudo o que eu quero é sentir aquele cheiro a suor e sexo, as tuas costas rijas, as tuas mãos fortes, a tua barba deliciosa, a tua boca no meio das minhas pernas, tu... tu dentro de mim. Quero-te tanto...
Quando estico o pescoço para te beijar, desapareces. A música entra pelos meus ouvidos, arranhando com agudos desagradáveis, que me sabem a ruído e não a melodia, incapazes de disfarçar a minha tristeza e de apagar a minha saudade.
"Não é isto que eu quero. Quero-o a ele, quero dar-lhe todo o amor que ele nem sabe que sinto.
Onde andarás tu agora?"